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Deus como esperança em Dietrich Bonhoeffer

Dietrich Bonhoeffer foi um teólogo alemão e pastor luterano, aderiu o movimento de oposição à Hitler e foi preso em cinco de abril de 1943, sendo executado em nove de abril de 1945 e considerado um dos mártires da contemporaneidade cristã.

Bonhoeffer se destacou por sua ampla contribuição no campo da teologia, escreveu diversos livros e artigos tais como: Discipulado (1937) e Vida em comunhão (1939) e Tentação (1953), porém o livro empregado nesta pesquisa foi Resistência e Submissão: cartas e anotações escritas na prisão(2003), um livro composto por diversas cartas do autor para amigos e familiares. Em suas anotações é visível a sua devoção e amor a Deus e sua promessa de esperança.

Ele comentou que as pessoas buscavam de forma desesperada estabelecer um lugar para Deus em um mundo que o deportara, visto que o cenário era em plena Segunda Guerra Mundial, onde repressão e sofrimento pairavam no ar. A visão de Deus em um ambiente de aflição acaba sendo diferenciada, pois nessa ocasião Deus simboliza reconforto e esperança. Bonhoeffer escreveu esses seguintes versos como uma forma de desabafo e súplica:

Dentro de mim está escuro, mas em ti há luz.Eu estou só, mas tu não me abandonas.Eu estou desanimado, mas em ti há auxílio.Eu estou inquieto, mas em ti há paz.Em mim há amargura, mas em ti há paciência.Não entendo os teus caminhos, mas tu conheces o caminho certo para mim. (BONHOEFFER,2003, p.190)

Os versos citados acima mostram a remissão de um crente na esperança de encontrar alento em Deus. Diante dessa visão, a busca por Deus se torna um socorro em meio ao sofrimento. Bonhoeffer leva o leitor a uma maior profundidade e relevância da fé verdadeira com base na teologia cristã, pois além de ter uma vida religiosa ativa seria necessário entender as responsabilidades frente a ela. Jesus Cristo em uma de suas passagens teria dito a seguinte frase:

“Então eles vos entregarão para ser afligidos e condenados à morte. E sereis odiados por todas as nações por serem meus seguidores.” (Mateus 24:9, Bíblia Sagrada, Sociedade Bíblica do Brasil, 2003, p. 961).

As palavras de Cristo se direcionam a consciência de que dias negativos fariam parte ativa da vida dos futuros seguidores da fé cristã. O teólogo insistia em dizer que viver uma vida assim não era fácil, porém a graça divina transforma a vida do ser humano, segundo ele, ao mesmo tempo em que se tem o sofrimento, por outro lado Deus agracia com seu consolo e misericórdia.

Se fizermos uma reflexão a partir do contexto histórico do autor em plena Segunda Guerra Mundial, veremos o quanto esta foi uma realidade sofrida. A luta pela sobrevivência, o padecimento de necessidades básicas e o constante medo da morte, eram a realidade diária daquelas pessoas, vítimas de um cenário insólito. Um conflito que tirou a vida de mais de cinquenta milhões de pessoas. Diversos livros e documentários relatam o quão horrível foi vivenciar estes fatos, e a partir dos escritos de Bonhoeffer é possível ver, a pear de tudo, a relação de resignação do crente a Deus nesse panorama.

Na frase:

“Não entendo os teus caminhos, mas tu conheces o caminho certo para mim” (BONHOEFFER,2003, p.190)

É possível analisar que mesmo diante de todo o caos apresentado, ainda podia existir uma esperança. Nessas circunstâncias a busca pelo Sagrado/Deus se torna um lenitivo em meio à angústia, uma necessidade de alivio à carga humana.

 

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas:

BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e submissão: cartas e anotações escritas na prisão. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2003. 

FRAZÂO, Dilva. Ernst Cassirer, Filósofo Alemão. E Biografia. Disponível aqui. Acesso em: 01/05/2018.

Revista Instituto Humanitas Unisinos. Dietrich Bonhoeffer, uma biografia. Disponível aqui: Acesso em 08/10/2018.

Sobre Adilia Mical

Adilia Mical é Bacharel em Teologia pela Faculdade Messiânica e graduada em Multimeios Didáticos e idealizadora do Ateliê.

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